A HISTÓRIA DE FRANCESCA

Em Florença, a festa grandiosa e cheia de luxo, no palácio da família de Francesca, ocorreu em pleno Renascimento.

Figurinos esplendorosos enfeitaram as moças, mas nenhuma era tão deslumbrante quanto Francesca, que agitava seus longos cabelos ruivos e enfeitiçava todos os homens da festa. As outras moças só conseguiam invejar seu riso vivo e desenvoltura, o olhar intenso e magnético em seus olhos verdes. Os rapazes a cortejavam e queriam ser o escolhido de seu coração.

Mas um fogo selvagem parecia agitar a donzela. Ela brincava com todos, olhava, provocava, mas não escolhia nenhum. Já estava na idade de casar, mas ficava postergando a decisão. As outras moças torciam para que escolhesse logo, para que pudessem voltar a ser o centro das atenções dos rejeitados por ela.

Não era comum uma moça ter a liberdade de escolher seu marido, mas o gênio forte de Francesca se impunha e seu pai não sabia lhe negar nada. Porém, o tempo estava se esgotando e, em breve, ela teria que tomar sua decisão.

O mais favorecido parecia ser Piero, o filho de um pequeno joalheiro, que se destacava pelos cabelos loiros e olhos azuis. Era o mais bonito, com um sorriso que encantava as moças.

Mas também havia Fernando, o moreno de olhos verdes, não tão belo, mas muito inteligente. Sabia fazer poemas de improviso e pequenas adivinhações.

Tinha o ruivo Giacomo, que era o mais divertido e simpático com todos. A fortuna de seu pai também era um ponto a favor.

E, por fim, um estrangeiro vindo da França, com seus modos requintados e sotaque carregado. Chamava-se Pierre e contava histórias engraçadas da corte francesa.

Francesca parecia jogar com todos sem escolher nenhum, mas tinha até o final do ano para se decidir, e o baile fazia parte da escolha.

Giacomo, ao fazer um remoque, acabou falando algo que ofendeu Pierre e o clima esquentou entre os dois. Pierre o desafiou para um duelo. Francesca, em vez de acalmar os ânimos, ficou deliciada e anunciou bem alto: “Quem ganhar se casa comigo”.

Apesar dos rogos da turma do “deixa disso”, a luta foi marcada para o dia seguinte. Pierre era um excelente espadachim e já tinha vencido diversos duelos. Giacomo era bom, mas ficava a léguas do oponente. A honra o impedia de voltar atrás. Sua mãe tentou dissuadi-lo da ideia, mas não conseguiu.

No dia seguinte, a praça estava cheia e Francesca se encontrava em lugar de destaque. Parecia estar em um piquenique, totalmente deslumbrada por ter dois homens brigando por ela. Na hora marcada, chegaram os duelistas com seus padrinhos. Enquanto estes anunciavam as regras do duelo, era possível ver Pierre confiante e Giacomo com um ar grave.

A disputa iniciou-se com os dois espadachins muito cautelosos, mas logo a técnica superior de Pierre se destacou.

Giacomo se defendia com extrema dificuldade, mas mostrava agressividade. Seus golpes eram repelidos facilmente pelo outro, que parecia prolongar a luta para exibir sua habilidade. Em um movimento mais elaborado de Pierre, Francesca não se conteve, se levantou e aplaudiu, gritando “bravo”. Ele adorou, passando a executar golpes bonitos e fazer mesuras enquanto ria. Giacomo estava vermelho e cansado e a espada do oponente raspou em seu rosto, tirando sangue. Isso lhe provocou uma grande raiva e ele avançou seus golpes, enquanto Pierre desviava tudo com um ar de diversão. Ao fazer mais uma mesura, se distraiu, e a espada de Giacomo atravessou seu peito. Este acabou escorregando e caiu por cima de Pierre, dando um grito.

Os padrinhos correram para acudir e tiraram Giacomo de cima do oponente. Pierre estava morto, e o outro, com uma espada atravessada no lado direito do peito. Francesca parecia paralisada e não acreditava no que via. Giacomo passou uma semana de agonia e morreu.

Francesca ficou reclusa por um mês e, depois, mandou chamar Piero, e disse que se casaria com ele. Faltando um mês para o noivado, ela rompeu o compromisso e escandalizou a sociedade. Fernando já estava noivo quando isso aconteceu e recebeu um recado para falar com Francesca. Ele foi, mas disse que se casaria com a outra. Ela insistiu. Ele não cedeu. Ela compareceu a uma festa deslumbrante e conseguiu encantá-lo. No dia seguinte, ele rompeu o noivado.

Ao anunciar seu noivado com Fernando, Francesca chocou a todos. No outro dia, Piero cometeu suicídio e deixou um bilhete culpando-a. Alguns dias depois, a ex-noiva de Fernando tomou veneno. Ele ficou transtornado ao saber disso e enlouqueceu. A essa altura, começaram os rumores que diziam que Francesca era uma “maledetta”, e só traria desgraça ao homem que ficasse ao seu lado. Para calar a boca de todos, seu pai mandou buscar um noivo na cidade de Pisa.

No dia da festa de noivado, a mãe de Fernando invadiu o local e gritou, na frente de todos:

— Maledetta, você só traz desgraça e morte, você nunca será feliz no amor!

No outro dia, durante uma caçada, o noivo foi atingido por uma flecha e morreu em seguida.

O sexto pretendente era um jovem de família nobre empobrecida, que foi convencido com um alto dote. Morreu de tifo doze dias depois do noivado. O sétimo era um jovem nem um pouco supersticioso, que morreu do coração no banquete de noivado, com uma taça de vinho na mão.

Sete pretendentes, seis mortos e um louco. Francesca vivia reclusa e seu pai já não sabia o que fazer. Os mexericos se espalharam e ninguém tinha coragem de deixar um filho casar-se com ela por dinheiro nenhum neste mundo.

Um jovem seminarista ficou hospedado no palácio da família, pois viajava rumo a Roma. Foi seduzido por ela e acabou se enforcando. Seu pai pagou muito dinheiro para a família dele abafar o escândalo.

Francesca foi recolhida em um convento, seus lindos e longos cabelos foram cortados e ela fez votos de obediência, castidade, humildade e pobreza. As superiores se compraziam em humilhá-la e castigá-la. Ela era açoitada, passava muitas noites nua em uma cela, a pão e água. Fazia faxinas, machuca muito os joelhos e enfraquecia seus pulmões pela umidade excessiva.

Ela se arrependeu dos seus erros, especialmente da vaidade, e sentiu que não merecia ser feliz no amor. Esse sentimento se manifestou nesta vida. Mas os senhores do Karma dão a todos a chance de reparar seus erros.

Todos os erros de Francesca foram resgatados em outras vidas, restou apenas o sentimento de que não merecia ser feliz no amor e que não era bom ser bonita e atraente. Vi tudo isso ao ler suas mãos, pois tive acesso aos registros akáshicos da vida passada e dos vínculos que lá surgiram. Ao conhecer sua história e fazer uma carta renunciando aos votos de pobreza, castidade e obediência, ela rompeu os vínculos do passado.

A história é real, apenas o nome foi trocado e a divulgação foi devidamente autorizada.

Depois de tudo desvendado e clareado, agora Francesca pode encontrar o amor e a felicidade nesta vida.

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